sábado, 11 de outubro de 2008

fotografia

Eu vou tirar fotos do céu
para poder averiguar
se o luar é tão bonito
quanto a luz do seu olhar

Eu vou raptar o mel
das colméias mais distantes
E o perigo que me cercará
Espero ter sentido antes

Vou catar todos espinhos
Da mais colorida flor
Para provar que o meu amor
É tão belo que a dor
Que um dia irei sentir
Se de você eu me lembrar
Logo então irei sorrir

Posso fazer o que ninguém faz
Posso dizer o que já disseram
Mas não me importa mais
Se o que fiz ou o que vou fazer
Não me traz de volta a paz
Não me faz ver você

Vou andar até Belém
Nadar até Madagascar
E levar você comigo
Até quando o mundo acabar


(100 mil passos até você)

pra não esquecer

consome ou some
com som de quem come
ou só me chama o nome
para um dia passarmos fome

me explica da sua dor
e depois me consome de amor
não quero me ver a sós com você
assim, tão claro, deixe escurecer

me canta a canção do céu
depois me consome de véu
não sei se é só fantasia
ou se a vida me fez uma ironia

me cala do seu tormento
e me consome o vento
de dentro do meu peito
meu amor já está desfeito

me faz uma comida boa
e me consome assim, à toa
era aqui que você queria estar
não quero sair do sofá

procura me consumir em brasa
que eu procura outras para consumir
o consumo mensal da casa
não me deixa sequer sorrir

me faz voltar ao tempo
em que você só consumia a mim
me tira as preucupações
e me consome de novo até o fim


não é assim

Tão bonitos,
tão simpáticos
A prole que eu quero ter
Me deixa fora de mim
Me deixa de tudo querer

Tão estáticos,
todos apáticos
Com uma cerveja sempre na mão
A confusão é inevitável
É indispensável a solidão

Tão famosos,
tão cheirosos
Sem camisa, sem diversão
Na cabeça falta o amor
Mas na imagem sobra paixão

Meus filhos não vão acreditar,
mas havia um mundo para nós
que fomos na infância,
geração de netos dos nossos avós

Um dia terão que conviver
É fato que vão se influenciar
Com a idéia do mundo da TV
Com os pais vão se rebelar

Um mundo sustentável
sem prejudicar as gerações futuras
É tudo tão deplorável
A universalização das culturas

Se batem, se enervam
espancam à morte
Se o pai tiver um bom dia de trabalho
Pra eles essa é a sorte

Sorriem, dançam
giram no chão
É tanta alegria
Nada é em vão

Só resta a idéia
de não procriar
Não quero meus netos
Em cima do altar




quinta-feira, 9 de outubro de 2008

fire!

16:11 - É muito cedo para uma descarrego de idéias consumadas do espetáculo vazio. As coisas estavam indo bem, não minto, mas agora sinto como se tivesse me desapegado do mundo. Não mais acho tanta graça nas coisas, nas pessoas, não sinto tanta vontade de contar alguma história fútil, de procastinar com a pessoa ao lado, de contestar, de protestar, e não sei como tudo isso se originou. Não sei, e nem quero saber o por que. Não quero melhorar por enquanto, só queria ter mais vontade de fazer algo produtivo, de fazer algo que me deixava melhor antes, que agora esqueci, ou não faz o mesmo efeito. Eu queria que você me desse alguma pista. Falo de você, mas não foi assim que se originou toda essa confusão. Pois é, estou confuso. Tanto nas palavras, quanto nas idéias, e se as idéias estão confusas, as palavras dobram na perdição. Quero que o mês todo se acabe, que esse prazo que dei a mim se complete, que eu esteja livre de tudo, e que janeiro passe como o ano todo. Não quero me ver com o papel da escolha de meu futuro curso nas mãos, não quero me ver pior do que estou, mas se não me vejo, quero ver você.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Homem beberrão

Homem, deixe disso
isso não é só o início
Se continuar isso
Isso virar um vício

Deixe de beber
sua vida tá sem eira
sua vida tá sem beira
Você vai enlouquecer

E não vá pensando
que eu só quero ser um chato
Você vai acabar matando
ou domindo com os ratos

Se um dia você parar
Não deixe de me dizer
Se a bebida sobrar
Então eu vou beber

Eu vou beber,
mas sem você
Eu vou beber
mas sem você



travessia

Espia a travessia
do norte para o sul
os animais lhe dão bom dia
Quando o céu está mais azul

A noite é mais fria
Independente da estação
Nem o pelo da cutia
Me faz lembrar o verão

E é só se você
Estiver por aqui
Vou me esquecer
do frio ao te ver sorrir

Nem a neblina
Que me impede de observar
As estrelas me desanima
Pois eu vejo o seu olhar

De volta para a toca,
me perco de você
E assim o inverno volta
Antes de amanhecer











sábado, 4 de outubro de 2008

até

10:07 - Queria apenas manifestar minha vontade de ter saudade pelo que ainda não foi, minha tristeza de sentir frieza pelo que vem de graça. Queria demonstrar de alguma forma o carinho que sinto por tudo que é inacarinhável, e por todo neologismo que me acompanha. Ativo, lírico, ou até metafórico. Sou nada sem alguém, sou alguém sem nada, sem nada, sem alguém, sou ninguém, sou nada. Eu não sei mais dizer se o que quero é o que realmente eu quero, e se o que eu realmente quero vai ser bom, ou vai ser mero capricho de um jovem que a graça ainda prospéra exarcebada, como em todo jovem, como em todo poeta, como em todo dia, como todo dia.
Carregar mais de 100 estrofes feitas nas costas pode ser perigoso para quem quer apenas escrever em prosa. As rimas continuam saíndo, as idéias estão sempre fluíndo, apenas não há a mesma métrica, e sim a mesma alma poética.

Lembraças a quem o lê, lembrança de quem quer o vê.

viva os loucos que inventaram o amor

10:00 - Estou prestes a viajar. Voltarei vendo nos olhos das pessoas um tom mais esverdeado. Dos que não querem se eleger, o verde da esperança. A esperança de um país melhor, de cada município, cada bairro mais bem estruturado. De uma cidade mais segura, onde não se precise parar um ônibus para os policiais terem que revistar, onde não se veja jovens e mais jovens querendo se mudar para outro país. Há ainda um enorme sentimento de esperança de cor verde. Da cor do verde da minha bandeira. Há ainda um sentimento patriota remanescente desde as 'diretas já'. Em alguns, que não o manifesta, ainda há, mas está perdido.
E por fim, E dos que se elegerão, o verde vai estar mais forte. O verde ganancioso, o verde mesquinho, o verde do troco, dos eleitos, dos que elegem, dos que caem, sobem, trocam de lado, brigam. O verde do silêncio, o verde da compra, dos bestas, da besta, das fazendas, gados, carros, parentes e amigos. O verde do bolso, da camisa, da carteira, do cofre, da cueca. O verde do dinheiro.

despedida

Pois bem, deixo todas as palavras escritas até agora no ar, de modo que se percam, ou se unifiquem, se achem e tornem-se independentes. Deixo as palavras, ou até a vida, de maneira que se possam ver-me nelas, de maneira que encontrem a esperança de uma vida melhor em cada letra unida a uma outra. Não falo da 'palavra da salvação', falo da salvação da palavra.
"Louco, louco, louco foi o que me disseram quando eu disse que te amei. Louco, louco, louco como um acróbata demente saltarei." Moacyr Franco.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Início

E eu que não sou velho,
um ser quase errante
vim de muito distante
para reconhecer o certo

Me surpreendi com risos
me emocionei com os males
que os homens dão de grátis
para outros indecisos

Não posso ser chamado de ancião
mas preciso de um sustento
se conheço a solidão

Posso não ser chamado de idoso
mas se caio e não levanto
sou chamado de medroso

Quase sempre cedendo a cadeira
Para às senhoras na feira
Quando ia visitar a minha avó
Que acordava muito cedo, por que tinha algum respeito
Ao ouvir o galo cantar

De noite ia ouvir
os velhos filósofos
De tantas outras vidas
e estórias para contar

É seu Batista,
Seu Antônio e seu João
que guardaram na memória
o rodopiar do peão