segunda-feira, 17 de agosto de 2009

então

Me irrito comigo mesmo
Só encaro o absurdo
Só falo do óbvio
Quero sumir, ficar surdo
Me embriagar de ópio
Ver, rever, rever de novo
Que o mundo não está mesmo aí
Que o amor não está mesmo aí

Que o mundo sem amor é treva
E que o mundo com amor ilusão


sábado, 15 de agosto de 2009

Contra-confabulando

Dizer que se tem ódio no coração, como vejo tantos dizerem, é um tanto quanto contraditório.

Se tem ódio,
não tem coração.


Dizer que, estando apenas só, está em estado de solidão é um tanto quanto simplório.

Nem sempre só,
Existe solidão
Me sinto sozinho
Em meio a multidão

inconfidência

"Se hoje pudesse pedir perdão
Por ter perdido esse dom de perdoar
Não seria um simples pedante
Pedindo valores sem saber valorizar"

Comumente passeio pelas calçadas
Calçadas de terra e descaso
Cansada de pés ao acaso
Pisando... e dando risadas

Quão bela essa juventude é
E quão orgulhoso dela eu fico!
Toda a minha vida a ela dedico
E brindo com competência o café

Ainda não vos traí, companheiros
Negar-tes-ei o meu cheiro
A fim de teus cães se perderem

Ainda não sou teu escravo
Por pouco, não sou o mais bravo
Esperando me contradizerem

(Soneto Inconfidência - 21:46 de 15/08/09)


apaziguado

Poucos nomes de blog caíram tão bem como este que agora está. Necessitava de uma concreticidade, uma permanência na escrita, e uma calmaria que em outrora não aparecia. Além de seu significado sucinto "acalmar", o apaziguado sente a brisa, é paciente, pode até não amar, mas sabe do revés que o amor traz.
Sinto que poderia cair bem também apenas o verbo no infinitivo "apaziguar", mas como a própria classificação faz dignamente, seria no infinit-ivo.


Debaixo dos olhos,
Por cima do altar
Voei
Cantei
Cansei
E pus a me entregar
Que me casei que nada!
Desistiram de mim
E por infortúnio
Muito depois de eu já haver desistido
Eu já estava em meu fim
E mesmo que não assistido
Me lembro de ouvir risadas
Se minha vida é escola
Espero ter ficado na média
Se minha vida é filme
Espero que seja comédia

domingo, 9 de agosto de 2009

gonna be a glorious day

Quem dera fosse só suicida
Executava a todos,
Encarava a vida
Debaixo dos lôdos
Que a abrigaram um dia
E a tornaram fogo,
E a tornaram gia

Veneno curtia em suas veias,
Danone marcava seus traços
E para as que ela via como feias
No mínimo, no fim, perdiam os braços

Antes fosse cobra, gia ou qualquer bicho do mato
Fosse cabeça vazia ou só solidão no prato
Fosse fera, fosse anjo, fosse o próprio demônio
Mas que não me procurasse com a proteção de argônio

A coisa só me procurava para me iludir-me de efeitos
E eu só defenestrava pensamentos em seus leitos
Leitos de espera para ela poder matar
em peitos de uma fera para ela me suicidar

pedido

Sabia que a bebedeira o faria esquecer boa parte do sábado. Então lá estavam os dois, no mesmo capô de carro de sempre, nas mesmas exarcebadas declarações. E por um segundo, ele teve medo de esquecer realmente de todo o momento maravilhoso que ela o proporcionava. Enfim, ele pediu alguma palavra para realmente se lembrar, e ter a certeza que o dia havia valido a pena.

sábado, 8 de agosto de 2009

Calmaria

15:52 - Passada a tormenta, veio a calmaria para os cantos da cidade quente. A calmaria só não é completa devido ao mormaço, ao suor, ocasionando agonia. Ao barulho, à gritaria e a confusão de um meio-dia qualquer. Antes qualquer, que pior. E comecei falando de calmaria...
Enfim, sinto saudades de todo um tempo, mas agora estou mais sensato, creio eu.

Não comentem neste post. Farei outro breve.

domingo, 2 de agosto de 2009

Carta à mamão

Eles já estão fartos de saudade um do outro, e ambos não tomaram uma certa iniciativa para reverter o quadro. Na verdade, ela tomou. Acredito que mamão espera um contato mais direto, não só pensamentos, pois ele não só disso feito é. Ele é parte de pensamento, e parte de verdade. Ele é razão de nostalgia, e representação-mór de uma infância toda. Por ter tido uma despedida semi-inesperada, causou tristeza excessiva, e dúvidas. Por que?
Ela não aguentava o ver tão longe. "Ver" mesmo, até porque, se contentaria com um pontinho roxo na margem do horizonte. Se fosse ele, seria válido. Tomou iniciativa. O fez a melhor carta que já tivera escrito, quando fosse para ser entregue a alguém do passado, tornou-se carta a alguém do presente. A tal carta foi entregue na janela de seu quarto, voou para algum lugar do universo, chegou as mãos de mamão. E este voltou, pra viver o presente, e comemorar o futuro.


nunca vi

Em mil dias de amores
Em mil e uma noites sem fim
Acabei de perceber:
nunca vi uma manhã tão linda assim!

O sol estava no seu melhor tom,
o céu pareceu chamar todos ao universo
O vácuo não me parece tão agradável
Sua falta de som me deixa disperso

Não é assim com você...
Na manhã sou beija-flor
A espera do entardecer
Voando sempre a observar
A procura de um amor
A procura de um olhar
Que me pareça com o de uma flor
Pra eu conseguir beijar

Eu vi o céu me chamar pra voar
Mas onde eu quero ir
não é tão longe assim
Cheguei lá de manhã...
Pena que teve fim.
O amor me abriu as portas
E ela me disse "sim"

Nota do autor:
Na verdade não foi de manhã
que ouvi tal palavra
Mas experimenta saber
como é acordar no outro dia.

sábado, 1 de agosto de 2009

amigos

Costumava cobrar mais de meus amigos. E ir atrás deles. Hoje em dia, meus amigos nada mais são que "amigos reserva", onde os "titulares" não existem. Não os troquei por nada, mas sinto que é como que não os exercitassem.

"Eu ando pelo mundo,
e meus amigos: cadê?"

Estou sem palavras ainda.