segunda-feira, 28 de julho de 2008

construção

Quando penso em fechar os olhos,
Penso em nada. A ira volta,
E a poeira traz o barulho
E a ordem dos fatores não mais importa.

Pois sei que é o barulho da construção
Que empurra pra casa a poeira
Deus, traz de volta meu colchão
Que segue queimando na fogueira

Eu joguei fora
A minha infortúnia vontade louca
De tornar-me um egocêntrico piromaníaco
De mente vazia e pouca.

O conforto que antes tinha,
Se vai a cada quebra de tijolo.
O que fizeram com a vida minha?
O que fizeram com minhas festa?
Tinha pedra em cima da telha,
Tinha cimento em cima do bolo.
E agora o que me resta?
Me formar pra levar desconforto.
(ou não)

sozinho pela noite

Sometimes i feel,
Sometimes i becomes me nothin'
Anytime, again
We'll go to the refrain

We dance, We stop
My baby is a lill' pop


E é por essas e outras que eu sigo sem saber o que fazer às vezes.
Nas vezes. Por vezes. Adição, subtração, vezes...
Uma série de vezes, sem divisão.
Será que toda matemática é ilusão?
Ou não.
Ou sim.
Tudo é relativo. Então,
Deduzo que nada relata ativamente ativa
O nada, ou até o não.
De volta vem o perdão,
De volta vem a desgraça,
Ninguém mais acha graça
Do vazio da solidão.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

dívida paga I

Dividir, pagar
De vida paga
De olhos a coçar
De pálbebra alagada

Que tanto traz a enchente
Que nos leva à loucura?
Investimos na cidade,
Damos à alma a candura.

Inocência pura, espalha beleza
espanta surpresa,
Não nos entrega a cura,
Não nos distribui paixão,
Nos ameaça de explosão

Não pagamos por paixão,
Pagamos por vaidade,
status e publicidade
E recebemos de troco a ilusão

Pedimos a mão da futura esposa,
Acreditando na paixão duradoura.
Mas quando a rotina chega,
vem na mão, a calculadora.

A dívida aumenta,
Não preciso repetir,
Tenho que pagar,
Tenho que consumir
Tenho que me lembrar,
Do imóvel a investir
Tenho que pagar,
Tenho que dividir,
Tenho que me enforcar,
Tento ainda sorrir,
Pois se ainda tenho que pagar,
ainda posso dividir.


por trás da flor

Dias passam e sequer o tempo vai junto. Assim me sinto quando começo a por pensamentos extravasados de meu ócio, de meus amores, de meus amigos, conhecidos, do tempo e do nada. Eu tento organizar as idéias, mas elas fluem muito rápido em pouco espaço de tempo, tudo é como um grande diário metaforizado por rimas sem nexos, que se interpretadas com a veemência de um ser qualquer que conheça minha rotina, perceberão a semelhança com o que acontece de real, e com o que está por trás da flor.
Todo o sentimento hiperbolizado, byronista e ufanista de minha conturbada experiência com os seres humanos, me fizeram aderir a escrita. Não dá para se deixar tudo guardado na mente, não dá para deixar tudo guardado no sentimento. Não digo no coração, pois deixarei as metáforas para as poesias.
E são as poesias que me fazem continuar com isso tudo aqui. Não por receber elogio, ou por elas me levarem a algum lugar algum dia, mas sim por elas me fazerem o que não sou, modelarem minha personalidade, meu eu lírico eterno, meu codinome, minha prole e minha arte.
Contudo, tenho apenas a agradecer. Agradecer a você que (não) está lendo, aos meus amores, meus pecados, minhas flores, todos os fardos, afagos, desejos consumados, inconsumáveis, inefáveis, irradiantes... Toda a vontade que tenho de querer fazer o que quer que fosse, de amar o inamável, de beber o imbebível, de comer o incomível e de cada sentido, uma meia dúzia de impossíveis atos que se concretizem ao longo de minhas palavras.
Minhas palavras sempre poéticas, sempre profanas, anti-éticas, desumanas em qualquer tipo de estrutura, seja prosa ou canto, e em qualquer narrador, seja primeira, segunda ou terceira pessoa. Até no último ponto, meu ponto parecerá o céu, se assim o céu eu quiser que ele seja.
Minha vida se resume a isso, não que eu não a estenda fora de versos, mas se aqui quero que seja toda ela em um parágrafo, toda em um parágrafo se transformará a vida.


25 de julho de 2008, dia do escritor

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Tudo

O mundo gira como máquina,
E como máquina para não morrer de fome,
Pois se não, o que falta na mesa de um homem,
Aos migalhos, se despedaça em sua rápida sina

Assina acordos, e a cor dos olhos foge
Sem dó, não há alma que aloje
Em tais demasiadas pálbebras,
Cansadas, perdidas, sem fibra, rarefeitas.

É raro o efeito da máquina cobrando vida,
Quando a própria vida, passa a cobrar a morte
Deslocando as vísceras para um beco sem saída,
Deslocando o réves da vida implorando por sorte.

Só teria o mundo, se o mundo me tivesse só
Nas entranhas de meu abrigo tímido e opaco
Procurando olhares que me transformem em pó
E ao pó, voltar da vida, cavando meu próprio buraco

Regozijo instantâneo
Causando ânsia quando só o que faço é ver
Todos dançando na cidade
Me fazendo enlouquecer
De tanta poeira e saudade
De uma vida prestes a anoitecer
Porque sei que nunca é tarde,
Nunca é tarde para saber
Que nem tudo é só maldade,
Que nem tudo é só perder
Que nem tudo é só alarde,
Que nem tudo é só você.


Como máquina

domingo, 13 de julho de 2008

tuiu

mi estimado amigo,
yo quiero que tu saiba
que hay una chica en mi vida
con el poder de tirar mi razón
con el poder de quebrar mi corazón

amigo querido,
?por que ella sólo pensa en vivir
conmigo y mi cuerpo non pensa en ver?

aislamiento, castigo
?qué parte de mi camiño charla
que yo tengo que vivir distante de ella?

sólo tres vidas a mais
Que farán los nuestros cuerpos
se tocáren, se deitaren
y se amaren hasta que la eternidad

querida, querida
envia me tu olor,
tu sabor, y tu calor
mientras yo ti espero
y te entregarei todo esto
na puerta de nuestra primera casa

tayssa, tayssa
?donde guarda tu encanto?
?es en mi soño?
Diga me que sí,
y yo voy volver a dormir

sábado, 12 de julho de 2008

hihi

33 minutos passados de sufoco
Não sei mais quem eu chamo,
Estou ficando louco
E estou bebendo

Não tem ninguém que me regule,
Mas ainda sei quem sou
Eu não sei mais o que faço
E por isso irei fazer

Aqui, para você
Sem frescura, sem paixão
Sem "te amo", p'ra você ver
Que esta aqui é
Sua última canção

Já percebi que a música
não é arte que lhe atrai
Você gosta de teatro,
Você gosta de quem sai

A procura de um romance,
de relance, ou de explosão.
Se há um homem que te alcance
não merece esse quinhão

22 minutos já é tempo o bastante
Para tirar este mundo das minhas costas
Eu já sei que nunca aprendo
Eu prefiro só calar
E então continuar bebendo

Eu não tenho mais alguém
Que vá tirar meus vícios
Eu não quero ficar aquém
de um amor que não teve início

E então, estou aqui
P'ra informar,
De todo coração,
minha linda,
Algo lhe fiz, e lhe fizeram
Mas está aí,
p'ra você,
Sua última canção.


Última canção

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Amor,

Que acabe logo, amor com o nosso amor. Assim eu tenho mais tempo de te reconquistar.

sono

Já fazem-se semanas
E meus diversos perdidos amores
Adentram as janelas profanas,
Pintam as paredes de diversas cores

O que era deprimente, se torna engraçado
E em toda essa história, a "outra" vira você,
E ela, vira tempo desperdiçado,
Virando a "outra", porque não quis me ver

E tudo que era tão sério
Vira apenas criação do ócio criativo.
E crianças que nascem da terra, como minério
Só tentam me deixar passivo

Vê, a passividade foi-se junto com você.
O tempo agora não é mais importante por você,
Não mais o conto pelo tempo sem te ver,
E sim pelo intervalo que se passa na TV.

domingo, 6 de julho de 2008

baby

Já faz mais de uma semana
Que você não quer mais saber de nós
Não quer ficar mais a sós
Com seu não tão belo par

Por que tanta ilusão
Na minha pobre ingênua mente
De amador de primeira excursão?
Amar a dor não me faz seguir em frente

O que te faz gargalhar,
O que te faz suspirar,
Não sou mais eu.
Eu sou mais eu.

Eu sou ninguém.

O que tanto procura?
Seria sua infância perdida,
Ao centro, com as crianças, querida,
Volta como era antes, quando era vida.


"Não sou mais eu"