quinta-feira, 27 de novembro de 2008

lá vai

Quando eu nasci
Vi o destino feito
Era tudo tão perfeito
Mas eu não estava ali

Ou era sonho,
Ou estava ficando louco
Mas eu era tão pouco
Leve, banguelo e medonho

Fui crescendo de repente
E moldei a minha história
Faço dela o meu repente
Tiro tudo da memória

Sempre uma nova brincadeira
Logo aprendi a me virar
Bala, dindin, baladeira
Banana amassada e dadá

Sempre cercado de primos
Hierarquia que até hoje eu sei
O mais velho manda no próximo
Por isso me acostumei

Quando nisso o tempo vai passando
E assim continuo moldando
O vaso de barro que é
A vida de um ser qualquer

Esse ser qualquer tem até nome
Não sou artista, sou moço gentil
Me chamo Ciro Guilherme
Registrado em todo Brasil

Tenho passado por sufocos,
Mas desgraça pouca é bobagem
Vou me deparar com tantos loucos
Mas preciso seguir a viagem







enfim

21:02 - Por fim, para completar a série de crônicas noturnas diárias, venho falar a respeito dos dias. Os dias que passam, quase não passam, e passam repletos de nada. Descanso, cansaço, acentos... Tacanha espera de esperar o próximo dia. Ou se o dia é com você, maldito ponteiro fino do relógio. Passa rápido como um guerpado correndo atrás da presa após 3 dias de fome. O dia que antecede este, é lento, o dia de hoje é fulgaz, e o de amanhã é incerto. Pode ser bom, pode ser triste, pode ser o último e pode ser o único. Basta cada um fazer-lo.

em mim

20:33 - Quão besta estou sendo! Quinhão de medroso e covarde mereço. Mas poucos sabem como é querer ver-se livre de si mesmo, sem preucupações, sem dúvidas e incertezas. São estes os felizes, que embora tenham mérito por tamanha felicidade, não deveriam recebê-la, pois quantos a mais tem o mesmo direito e só encontram a fuga como saída?
Eu queria ser o mais egoísta dos homens, fortaleceria meu ego. Ou queria que fosse o contrário. Sendo o mais solidário, e você sendo a personificação do egoísmo. De um jeito ou de outro, meu superego cresceria. Não precisa ser gênio para entender por que.

inconstante

20:20 - Mais uma vez, meus amores me provam sua inconstância. Que azarado, sou eu. Ou não. Pelo menos, os tenho. Sim, de todos os amores. Os de jardim de infância, os de pré-adolescência, os de hoje, os de ontem, os de amanhã, meu amor de sempre. A vida se torna tão vã sem eles. Nem sempre princesas para salvar, ou só mulheres, amantes. O que provam-me sempre, é não mostrarem sempre, ou impedirem-me de ver a reciprocidade.
Tudo bem, foi exagero (como sempre), falar que todos mostram inconstância. Há ainda aqueles que sei que são de verdade. Que não são icógnitas. Mas você, pra eu ter que saber do que sente, tenho que resolver um sistema linear de 3º grau, tendo que achar x, y e z. Isolando o y, pra achar um novo "k". É tudo complexo, tudo escondido. Então, neste texto, chamado "inconstância", peço a ti pra ser mais livre comigo. Pra falar qualquer coisa, pra falar, pra deixar o silêncio apenas, pra reclamar, brigar, cobrar... Pois sem isso, eu não vejo todo amor, e eu não posso me soltar só. Sou como um coelho, que precisa ser intimado a se soltar para isto.
Eu queria te deixar livre em mim, não de mim. Pois nosso tempo de aproveitar já começou. Depois, continuarei em ti, mas só se quiseres, ora no pensamento, e pouca hora no teu corpo. Teus beijos não sumirão de mim, mesmo se quiseres daqui a um tempo. Se o amor existir, peço para esperar. Só enquanto acaba o tormento por vir.


(..)

Agora falando de algo que eu entendo, dedicado à Marcel, Bárbara, Alana e todos atores que conheço:

Não que eu não goste dos atores,
Longe de mim pensar isto,
Mas fora do palco e da tv
Os poetas são mais bonitos

Se a TV exalasse odor
E as palavras escritas, cheiro
Se o teatro tivesse o calor
De uma rima de banheiro

Se a alma de todo ator
Sumisse antes que o corpo mofe
Se todo amor fosse o amor
Que é pregado na estrofe

Os atores pra se manterem,
Teriam que contracenar rimando
Procurariam chamar atenção,
Logo estariam voando
E os poetas, enquanto no chão,
Enquanto atores amando
Enquanto papéis odiando
Falaria de atores e eles mesmos
Com um só artista,
Como um só corpo.






Quando o teatro me é

Não sou ator, mas sendo artista, tive que intepretar:

Faço do teatro minha vida
Sabendo que a vida é o teatro

As luzes do teto viram o sol
Quando se abrem as cortinas
Os olhos do público, estrelas
Refletem-me e iluminam... O palco

Do palco faço minha terra
Como cachorro, marco meu espaço
Em cima viro bela, viro fera
Sei o que fazer, mas nunca faço

O lugar que precede à entrada
É onde eu encontro a sorte
Nunca me tão desejada
Me bastam as dores da morte

Sorrio no mais triste drama,
Choro quando se é pra rir
Se é hora de ir pra cama
Ainda não é a de partir

Voo se a corda me ajuda
E vou de acordar pra voar
Sentada diante de artistas
O palco é o meu lugar

Se a vida é como o teatro
O aplauso me mata então
Quando se fecham as cortinas
Fecham o meu caixão

E me ergo no fim do espetáculo
Me transformo no que eu sou
Me se sou o que sou no palco
Eu não sei nem pr'onde vou
Eu não sei o que vou ser
Todo ator já sonhou
Quem sabe um dia saber
Se ele é ator só no teatro
Ou desde que se pôde viver


pensei

Eu não pensei em você
Quando eu tomei até a última
Eu não pensei em nós dois
Quando eu surtei

Eu não pensei em te ver
Quando estavas irritada
Não pensei em chamar-e de amada

Desculpas são tão de boca pra fora,
Mas são melhores que sair de casa
Por favor, amor, abre essa porta
Deixa ao menos eu fazer a mala

Eu tentei atrás da porta
Cantar-te aquela música do tom
Mas foi pior, você não achou tão bom
Eu tentei declamar, chorei
Falei dos nossos planos
Cheguei até a cantar Djavan

Eu fui inventar

Eu fui inventar de fazer
Um sambinha pra você
Eu queria saber o por que
Eu fui inventar

Eu podia até tentar
Um bolero ou Rock and roll
Mas quando eu pensei em você
todo samba desabrochou

Eu podia não escrever
E deixar o samba tocar
Pra quando eu dançar com você
Você não se atrapalhar

Olha se você não quer
Ouvir esta canção
Tampa os teus ouvidos
E me dê mão
Não fique à mercê do seu coração
Que assim eu faço outro samba
Pressa solidão

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

...

2006,

Não é só amor
dizer que ama,
Não é mais amor
Dormir junto na cama,
Não é tão amor
Quando um reclama
Da falta de amor
De quem não te ama

Pois se é pra dizer
Que o amor é deveras
Um romance ideal
Para belas e feras
Que seja real
Quando se supera
E passa de palavras
Para verdade

O nosso amor é calado,
Não é proibido,
Mas sei que existe
Mais que no programa assistido
Por tantos amores
Que tentam os serem
Tentam me ser
Tentam ser você
Quando estamos juntos
à mercê
De nós dois


pearl

Cada dia que passa,
A dúvida em mim disfarça
Mas há algo em ti,
que não sei o que acontece:
Toda vez que te vejo
A certeza me aparece!

Se ano que vem as coisas
Buscarem um rumo disperso
Te peço que arrume minha vida
Me coloque no lugar certo

Podem passar 10 meses de aflição
Serão pouco para os que passaram sozinhos,
sem você
1 mês é bem pior.