sábado, 21 de fevereiro de 2009

Lembranças posteriores do carnaval que passou

(...)
Não brilharia a estrela, oh bela
Sem noite por detrás
Tua beleza de gazela
Sob o meu corpo é mais
Uma centelha num graveto
Queima canaviais
Queima canaviais
Quase que eu fiz um soneto

Mais que na lua ou no cometa
Ou na constelação
O sangue impresso na gazeta
Tem mais inspiração
No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto

Oh bela, gera a primavera
Aciona o teu condão
Oh bela, faz da besta fera
Um príncipe cristão
Recebe o teu poeta, oh bela
Abre teu coração
Abre teu coração
Ou eu arrombo a janela
(...)

Chico Buarque - Bela e a fera

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

mix de muitas coisas (4)

Texto para o dia 21/02/2009

Poetas: uma contradição

"São todas iguais", dizia um certo poeta exausto de tanto romance. Daqui a, no máximo dois meses, eu vou me acabar por uma delas, e por ela, ela vai nos acabar. Não há crença que me faça descrer nisso. Mas também diz outro poeta, mas este, já mais conhecido meu: "Todo poeta é mentiroso!"

E então, acreditar em quem?


"Quimicócio improdutivo de sexta-feira"

Sal, areia:
Dissolução
A água do mar
evapora em mim
ou destilo meus olhos
e vejo meu fim
Na areia do béquer
molhado de mar
e você me enchendo
vou evaporar
Quando me acendo
Sei que me hibridizo
Mas também não preciso
De tanta solução
Pois não há química
Para um coração
que só bate
em decantação

domingo, 15 de fevereiro de 2009

mix de muitas coisas (3)

"Devagar, devagar com a dor, que o santo é de barro e a fonte secou." Assim começo este terceiro (agora é) mix de muitas coisas. Mas ah... eu mesmo fico pensando, não posso ficar pondo estes posts com frequência. Primeiro que ninguém lê, e se lê deve achar uma grande bobagem quando não se tem o que falar. Eu devia acumular idéias para formular, mas de tanto dever, fico devendo mesmo...

Me lembro agora da penúltima vez que fui à praia, e me admirei com um menino indo com sua bicicleta em direção ao mar. Ele deixou a onda cubrir boa parte de sua bicicleta, tanto que fiz até uns versinhos para minha admiração. Não foi grande coisa, mas eu vi, em parte, a felicidade daquela criança querendo fazer de seu veículo não-motorizado transformar-se em um submarino. E se ele não pensou assim, retiro toda minha admiração por tal ato. Ah, nada mais útil que a imaginação. É o melhor veículo para estar-se à par da sociedade, da natureza, das pessoas, de maneira individual... No momento que eu falo que não vou pensar em tal coisa, essa coisa já vem na minha mente e eu já penso antes de não querer pensar. E este pensamento que tanto corrói a mente alheia.

Agora, falando da última vez que fui à praia. Antes, como sempre chego mais cedo quando marco qualquer coisa na praia, fiquei viajando. A grama, misturada com a visão da praia, traz melhores vibrações e melhores pensamentos que qualquer entorpecente no mundo. É onde cada um se encontra, e eu me encontrei lá, esperando, esperando, mas sem nenhuma impaciência, sem nenhum penar. Digo sem nenhum, em relação ao estar esperando, mas há sempre penares, claro, e logo eu, não deixaria de tê-los.

A propriedade intrínseca da matéria. Das coisas que vi em química esse ano, esta foi a frase que mais decorei, mais achei bonita. Para início de conversa, a definição da palavra intrínseca no dicionário Priberam diz o seguinte: "que está no interior de uma coisa, e que lhe é próprio, essencial;" E o que é essencial para mantermos-nos em pé? A gravidade. À respeito de corpo e matéria, esta é nossa propriedade intrínseca. Mas eu nunca sou tão chato, certo? Então, falando de mente, qual nossa propriedade intrínseca? O equilíbrio. Sim, sem o nosso equilíbrio mental, nossas idéias caem, se desorganizam, se manifestam de tal forma que nem nos deixamos-nos vermos. E esta conclusão de intrínseco, foi apenas para justificar e culpar, de certa forma, minha admiração a estas pequenas coisas que escrevo, como o menino da bicicleta ao mar, como a praia, o vento, o ônibus. Sem isso, eu não sou eu, e meu eu não me quer.

Agora, só para constar: O equilíbrio não pode ser tão assíduo. Ora, se ele for, nós nem sequer amamos. Digo isso para quem quer amar, claro. Eu prefiro manter-me estável, sem querer acreditar que vou ser amado como amo. E ontem, nas mais de mil conversas com meu irmão, ele me falou, o que nós sempre dizemos um ao outro: "Não acredite nas pessoas. Elas sempre hão de te decepcionar." Mas ainda disse algo a mais, que nunca havíamos comentado: "Faça-as acreditar que você acredita nelas, mas nunca se confundindo, pois quando o pior acontecer, a decepção não será tão grande."

Pois é, isso relacionado com nossas poucas experiências amorosas, mas é nessas horas que você vê, que realmente tudo é verdade. Quando você não se decepciona, você decepciona alguém, e dá no mesmo. Assim terminarei meu post:

Quero esconder-me por trás de meus olhos
E adentrar-me naquela nuvem cinzenta
Está bem perto dos olhos do mar,
Ou o mar dos olhos, que sempre me atenta

Se é diabo, ou se é só poeira,
Se é mentira, eu descobri cedo
Pois quando chega a noite faceira
Lhe vêm os bichos só para por medo

A nuvem já volta, e me leva com ela,
Não acredito no que estou a dizer
Se caio, choro, ou choro e rio
Assim como o rio que me trouxe você

Eu sou a nuvem, eu sou suas lágrimas
E o brilho verde sutil dos seus olhos
Mas se não chora, estou escondido
E que passar-me dos seus

Para os meus



Amadeus e Clara

Amadeus só amava. Amava bem, para falar a verdade. Era daqueles apaixonados, que vidrava-se nos olhares de suas meninas. Suas por modo de falar, pois o melhor esporte para Amadeus, era o Amor platônico. Sentava só, e olhava para seu alvo, sua menina. Quando a conseguia, era o melhor dos amantes, o mais atensioso, e o príncipe dos sonhos da primeira semana. Mas todas enjoavam dele, e ele nunca desistia de amar. Até que conheceu Clara. E esta o amou como todas as outras. Mas para Amadeus, Clara foi a mais importante. Sem ninguém para lhe ter falado isso, ela lhe falou:

Sabe qual seu o problema, Amadeus?
-Qual?
-Você ama demais.
-Mas isso é ruim?
(...)
-Seja mais amado, apenas isso. Balance.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

mix de muitas coisas (2)

É escutando "The man who sold the world" que começo esse novo texto. Continuo sem muito tempo, e o tempo que tenho, ou é pra devanear, ou para pensar em que podia estar estudando. E se você está pensando que meus amores me abandonaram, tsc tsc, desde a última vez que disse isso, realmente era verdade, mas agora, eu que os menosprezo, fantasio-os, e os faço de pouco. Não é mais para poder ter tempo de estudo (nunca que eu faria isso), é apenas por usar a lei de Talião.

Na verdade, há uma moça bonita na minha cabeça, é com certa timidez que a revelo. Eu não sei nem sequer descrevê-la para vocês, mas saibam que é linda, ou não é. Mas sei que é, porque sempre as acho assim. {Vão relacionando essa parte com aquela parte que não faz sentido}. Tenho usado muitas chaves no caderno, tá virando uma mania chata. (...) Voltando para a moça bonita, não sei se é só moça, ou só mulher, mas como aquela poesia (aquela famosa, que é a minha "ela" para minha "Ela") não sei se com ela sou menino, ou se com ela sou caba 'ome'.

Eu queria agora poder estar bebendo com meu velho amigo de devaneios. Quanto mais nado para a superfície, mas sinto que o sugador central me puxa, me suga, como aquela canção "absorve" de FelipeS., sendo que esta o narrador usa do órgão que absorve uma mulher, e no meu caso é a confusão.

E as músicas vão passando numa velocidade tão grande que não percebo se agora ouço o bom e velho country do Tennessee, ou se ouço aquela mesma ladainha bossa-nova do Rio de Janeiro. É tudo música minha, boa. (Não MINHA, sim minha)

E agora, deixarei sempre reservado um parágrafo para o amor. Ah, claro, porque o amor nos meus textos é mais presente que eu mesmo. E já me desfez tantas vezes, que agora ele tá me pedindo para eu não acreditar mais. Então, é isso. Não decidi isso de agora, mas acho que as pessoas sempre são tão iguais, sempre tão previsíveis.

(Ou não, besta)


Escuridão devasta a alma
E a vista gasta a procura do fim,
já que a luz não chega,
Espero o quebrar dos ossos,
O grito de dor.

Vejo placas, e setas
apontam todas para o chão,
não acredito mais nelas,
agora meu peso é vão
A gravidade me resta a acreditar
que ela não existe
E enquanto isso
meu corpo persiste
e meus membros resistem
a sempre achar
que estou voando.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

é que é algo que não sei bem dizer como é

Vida inteligente
Eu sinto
Estou dormente
Eu minto
Estou doente
Não sinto
O que tu sente

Quando voa aquém de minha visão
Vou mais além
E te seguro,
Ponho no fogão
Junto de mim,

Fazemos nossa refeição
No cume calado do nosso amor
Mente, me diz que sou safado,
cachorro, um simples simples homem
Que nada mais quer
que não ter uma mulher

Ou ter
não tendo

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

mix de muitas coisas

14:10 - Há muito não cronicava, não expunha minha vida, de tal modo que não sei mais interpretar, nem fantasiar as boas coisas que deviam ser escritas aqui. E por isto, lançarei, a partir de hoje esses posts chamados "mix de muitas coisas". Pois bem, estes serão alguns posts meus daqui pra frente, e conterão, em um só, poesias, cotidiano, histórias e cousas mais.

Vi uma história de uma criança do sertão do cafundé, no Ceará, que por desnutrição, perdeu a visão do olho direito. De todas as histórias que estavam sendo passadas ali sobre famílias pobres, esta foi a única que me surpreendeu, e não só pela história, sim pelo fato de como ela adquiriu a cegueira, e de como o autor dos slides que ali passavam, que era um jornalista, mencionou o caso.

Quando as pessoas passam dias sem comer, como era o caso desse menino de 2 anos, que só comia garapa (água com farinha), elas vão acumulando remela no olho. E essa remela cobriu os olhos do menino de tal forma que ele perdeu a visão de um olho, e a sua irmã, perdeu a visão dos dois.

Então o jornalista fez comentários sobre isso que deixariam qualquer um presos emm leitura tal, e até aqueles que não estariam surpresos, por já conhecerem, sentiriam-se angustiados por tal história.

A cegueira das crianças é algo concreto no mundo. Mas há a cegueira abstrata, que é a cegueira de cada um de nós que insistimos em não querer olhar diante de nós e vermos o mundo o qual vivemos. O nosso quinhão de humanos, julgam os que são cegos, e o que não querem ver. Há os que reclamam, há os que atuam, e há os que não fazem nada.

Peguei uma parte desse trecho acima, de uma citação parecida que o jornalista falou. Fiquei com isso na cabeça e escrevi.
Também pensei em poemas, e poemas e poemas, mas só me veio uma frase, e se alguém a quiser concluí-la, fique a vontade:


Fingimos não ver; e que sejam mais um
A navegar sem mar, sem a luz do farol
Pequenos olhos que estão em jejum
Num lugar onde única refeição é o sol

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

(joy division)

Estou com muita falta de inspiração. Antes a viagem no ônibus me fazia pensar, escrever músicas, cantá-las e ao chegar em casa, concluía-às, ou não. Hoje vi que com essa nova rotina minha, tenho que dormir em ônibus, dormir nas esperas, não posso perder muito tempo assim. Não sei o que escrever, não consigo escrever sobre folhas, flores, nem quaisquer elementos da natureza. Meus amores, todos, me abandonaram. Como se fosse tudo combinado. Como se quisessem me ajudar, estão dispersas, a vida toda está. Não me lembro de bons momentos, estou em uma profunda ressaca com amnésia alcólica, e sinto que a festa de ontem não foi das melhores. (Só sinto, porque não me lembro).

Preciso melhorar ainda mais, preciso ser responsável e organizado. Não só preciso. Quero ser uma pessoa melhor, sinto que não sou muita coisa para com ninguém, e não falo em questão de solidariedade, pois nunca fui de me mostrar. Mas sinto que falta algo em minha vida, não sei se o que sinto é nostálgico, ou se nunca tive.

Não sei de nada,
mas sei que sei.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

chegou fevereiro

Como um rio sem janeiro,
meu fevereiro sem carnaval
(Hélio Flanders)

sábado, 31 de janeiro de 2009

the worst sunday of brazil

Sinto que amanhã vai ser um dos piores domingos da minha vida. Queria me isolar, pelo menos não só me decepcionaria, como as coisas vão acontecendo.